Todos os dias alguma coisa nova me noticia que eu me formei. Hoje mesmo, mais cedo, o moço do Uber me perguntou o que eu era. “Eu sou psicólogo”, respondi. Daí fui tomado por uma espécie de espanto/estranhamento… não sei muito bem como explicar aquilo. Eu disse mais algumas vezes (em silêncio, na minha cabeça); “eu sou psicólogo” e fui me dando conta, gradativamente, do que eu estava dizendo. Desde então tenho descoberto quão simbólica vem sendo a minha saída da Universidade. Mais uma vez eu estou sendo lançado no mundo… Me lembro agora do dia em que saí de casa e deixei tudo aquilo para trás. Lembro que enquanto meu pai dirigia eu olhava para a nossa casa que ia ficando longe… cada vez mais longe. Minha mãe de cabeça baixa, na calçada... e longe… meus irmãos olhando do portão, sem entender muita coisa… e longe… minha vozinha acenando com as mãos enquanto abençoava minha ida… e longe… até que minha vista não alcançava mais nada. Eu estava part-indo. Acho que é mais ou menos assim que eu me sinto agora: mais uma vez indo embora. Hoje eu dei uma volta sozinho pela Universidade. Só agora estou me dando conta de que estava me despedindo. Tanta coisa aconteceu ali dentro… Conheci tanta gente bonita, que me mostrou tanta coisa do mundo! Aprendi tanto! Me conheci também. Agora chegou a hora do parto (substantivo). “Para o mundo” mais uma vez. Eu demorei tanto até chegar até aqui e saber um pouco mais sobre quem eu sou e o que eu quero… Agora que sei, estou me perguntando: o que eu vou fazer com isso? Penso que a resposta seja continuar me perguntando, dia após dia e, no meio de tudo isso, aos poucos ir transformando a palavra “parto” em verbo, mais uma vez. Agora e cada vez mais, de um outro lugar. Eu sou psicólogo!